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Diversidade na matriz energética: Energias renováveis precisam de políticas específicas e planejamento no longo prazo
15/10/2015 às 09:00 - Por: Renan De Simone e Matheus Medeiros
 
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As energias renováveis sempre tiveram grande participação na matriz energética brasileira, mas, de acordo com especialistas, o país tem mais potencial a ser explorado e deve diversificar a matriz e investir em políticas mais eficientes e de longo prazo.
 
“O discurso da presidente Dilma na cúpula do ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, no final de setembro, a respeito das metas de redução na emissão de gases de efeito estufa deve trazer mais incentivos a esse tipo de geração”.
 
Essa é a opinião de Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) que, junto a outras autoridades e especialistas em energia, estiveram presentes no 10º Congresso Internacional do Direito da Energia, promovido pelo IBDE (Instituto Brasileiro de Estudos do Direito da Energia), na capital paulista.
 
Não pode ser apenas hídrica
 
Szwarc lembra que as fontes renováveis são responsáveis por cerca de 75% da matriz de geração energética brasileira, enquanto que a média mundial é composta de apenas 20% dessas fontes. Entretanto, de acordo com Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), também participante do evento, a diversificação nas fontes deve ser prioridade já que, da energia vinda de renováveis, apenas 23% não é hídrica.
 
O consultor da Unica ressaltou que os recentes leilões por fontes, incluindo biomassa, são um avanço para a diversificação na geração, mas que ainda não compensam os diversos erros administrativos tomados no passado em relação às políticas de energia.
 
“Precisamos diversificar as fontes e ampliar linhas, além de incentivar o consumo mais eficiente. Nós só não estamos sofrendo de falta de energia nesse momento por conta do ‘benefício do mal’, que é a estagnação do crescimento econômico e consequente diminuição na demanda de energia”, pontua ele.
 
Vento, ventania
 
Para Elbia, os modelos de leilões devem ser revistos. “Leilões por fonte são realizados desde 2013 e são bons, mas o leilão focado apenas no preço apresenta problemas. Na energia eólica, por exemplo, os leilões por preço favorecem parques no Nordeste do país, mas as regiões Sul e Sudeste têm ótimos ventos também e às vezes são negligenciadas”, diz ela.
 
Ela enfatiza ainda que a falta de estradas de qualidade, linhas férreas e meios alternativos de transporte dificultam a logística do trânsito de materiais (enormes, na maioria das vezes) para os parques eólicos, prejudicando prazos e até danificando equipamentos.
 
Elbia ainda ressalta que o modelo atual de transmissão não atende às necessidades e deve mudar. “Muitos parques já concluídos atrasaram a entrega da energia por falta de linhas de transmissão”.
 
Boa notícia
 
Para a presidente da Abeeólica a boa notícia fica por conta da recente criação da Frente Parlamentar de Incentivo à Geração de Eletricidade Renovável. “É importante que o governo reconheça a necessidade de discutir as questões de energia, pois os especialistas dependem apenas de políticas de energia para saber quais as medidas a serem tomada”.
 
Lugar ao sol
 
Em relação à energia solar, Nelson Colaferro, presidente do conselho de Administração da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), aponta que o segmento cresce gradualmente e com firmeza, mas afirma que os bancos privados “não possuem linhas de financiamento adequadas para produtos e serviços dessa natureza”.
 
Isso porque, segundo ele, como essa é a fonte que mais se aplica a mini e microgeração distribuída, as linhas de financiamento, que deveriam ter juros mais brandos e prazos mais longos, são oferecidas somente por alguns bancos públicos, havendo, assim, uma escassez de crédito para esse tipo de tomador.
 
Atualmente, a geração FV (fotovoltaica) tem uma capacidade instalada de cerca de 0,03% do SIN (Sistema Interligado Nacional), com previsão de que alcance 8,7% de participação até 2050.
 
“O Brasil como um todo é viável para essa fonte, pois temos entre 1550 e 2350 horas de sol ao ano no território. Na Alemanha, por exemplo, são apenas 900 horas ao ano. A fonte já é economicamente viável por aqui e, apesar de estarmos ‘atrasados’, o que importa é a oportunidade de expandir a fonte daqui para frente”, pontua Colaferro.
 
Entre as vantagens elencadas para a geração fotovoltaica estão: o fato de ser limpa, renovável, sustentável, sem ruídos ou partes móveis; vir de uma fonte inesgotável; e contribuir para redução de emissões e geração de empregos.
 
Colaferro coloca que, como qualquer fonte de energia, a FV aquece a economia local, atrai a cadeia produtiva do país e gera empregos de qualidade, diretos e indiretos. “Para se ter uma ideia, nos EUA, por exemplo, para cada MW instalado da fonte, cerca de 30 empregos são gerados, mesmo na mini e microgeração”.
 
Para ele, o país tem um longo caminho a ser percorrido no crescimento dessa modalidade de geração, “mas depende de regulações, regras de leilões e legislação, e incentivos estaduais. Por sorte, já podemos observar movimentações positivas e incentivos em alguns estados como SP, MG, RJ e PE”, completa ele.
 
Complementaridade
 
Uma combinação interessante comentada no evento foi a utilização de placas de geração de energia FV flutuantes que podem ser colocadas nos reservatórios de usinas hidrelétricas. De acordo com Colaferro, essa utilização permite gerar energia solar que complementa a hídrica ao mesmo tempo em que diminui a evaporação dos reservatórios.
  
 
Edição e revisão:  

Moraes Mahlmeister Comunicação    

 
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